segunda-feira, 23 de julho de 2012

TRANSPORTES DE PETRÓLEO E GÁS


TRANSPORTE DE DUTOVIÁRIO DO GÁS DE PETRÓLEO

INTRODUÇÃO:
As tubulações já eram conhecidas como meio de transporte para produtos líquidos desde a
antiguidade. Existiram casos de tubulações construídas com bambus na China, com materiais cerâmicos por egípcios e astecas e com chumbo por gregos e romanos;
Em 1865 foi construído, na Pensilvânia (EUA), o primeiro oleoduto para transporte de hidrocarbonetos, com 2 polegadas de diâmetro feito de ferro fundido com extensão de 8 km;
Em 1930 teve início o transporte de produtos refinados entre a refinaria de Bayway (Nova York) e Pittsburgh; 
No Brasil, a primeira linha entrou em operação em 1942 na Bahia, tendo diâmetro de 2 polegadas e 1km de extensão ligando a Refinaria Experimental de Aratu e o porto de Santa Luzia.
O mercado de petróleo e gás está em pleno crescimento, no Brasil especialmente esta é uma área que recebe grande atenção e investimentos. O Governo e empresas privadas nacionais e internacionais investem muito dinheiro uma vez que os estoques que crescem a cada mês com novas descobertas de poços, alguns de difícil exploração. O transporte
ferroviário, naval ou rodoviário apresentam inúmeras desvantagens quando comparados ao uso de dutos. Segundo a resolução CONAMA nº1, de 23 de Janeiro de 1986, A instalação de oleodutos e gasodutos depende da elaboração de “Estudo de Impacto Ambiental” e “Relatório de Impacto Ambiental”. E a resolução nº 293 de 12 de Dezembro de 2001 define a elaboração do “Plano de Emergência Individual” para acidentes que gerem vazamentos em instalações como dutos, terminais e plataformas.
A dutovia é uma tubulação destinada para conduzir a grandes distâncias produtos e materiais fluidos. O transporte entre as instalações de Refinaria e as Bases Primárias é feito geralmente por modal dutoviário (instalações da Petrobras Transportes S.A. Transpetro) ou por navegação de cabotagem através da atracação de navios-tanques (NT’s) nos portos. Já as transferências entre as instalações das Bases Primárias e Secundárias são feitas por modal rodoviário (caminhões-tanque), e modal ferroviário (vagões-tanque).
Segundo Lambert (1998, p.175) “as dutovias transportam apenas um número limitado de produtos, incluindo-se aí o gás natural, petróleo cru, produtos de petróleo, água, produtos químicos e pasta fluidas – geralmente considerada como um produto sólido suspenso em líquido, normalmente água, que pode assim ser transportado com mais facilidades”. Este mesmo autor diz que o gás natural e o petróleo cru são responsáveis pela maior parte do tráfego dutoviário. Por este motivo, o presente trabalho irá focar o estudo na malha dutoviária para o transporte de Gás natural (GLN), que é transportado por gasoduto, semelhante aos oleodutos, porém com algumas particularidades, principalmente no sistema de propulsão da carga.
CARACTERÍSTICAS DAS DUTOVIAS

Transporte dutoviario: É efetuado no interior de uma linha de tubos ou dutos realizados por pressão sobre o produto a ser transportado ou por arraste deste produto por meio de um elemento transportador.
Tem alta confiabilidade uma vez que a operação pode ser contínua, sem contingências climáticas ou atmosféricas.
A tubulação, em geral, é enterrada a uma profundidade de 80cm, tornando o transporte por dutos praticamente sem riscos.
Necessita de mínima de energia em relação à massa transportada, que é empregada exclusivamente na transferência dos produtos, a uma, velocidade de 3 à 4 km/h. Geralmente o acionamento das bombas ou compressores é feito através do motor elétrico.
Emprega modernas tecnologias como a SIG (Sistema de Informações Geográficas), que permite a visualização do traçado da dutovia ou pontos da mesma, ou com o GPS que fornece informações de posicionamento em tempo real e transmitidas via satélite.
Tem baixo custo operacional, devido ao reduzido consumo de energia e a mínima mão-de-obra utilizada. Em contra partida tem um elevado custos de investimentos em dutos e sistemas de bombeamento.

Diferença para os demais modais: na dutovia o veiculo que efetua o transporte é fixo enquanto que o produto a ser transportado é o que se desloca, não necessitando na maior parte dos casos, de embalagem para o transporte;
Como desvantagem operacional, é a sua reduzida flexibilidade, já que os pontos de origem e destino são fixos e os meios físicos, em quase sua totalidade, não podem ser transferidos para outras frentes de transporte, como acontece em outras modalidades. Paralisar a operação acarreta prejuízos na faixa dos milhões de dólares, seja por lucro cessante, ou por multas aplicadas por clientes não atendidos. É interessante salientar que, com a difusão do
uso de sensores na indústria química, a possibilidade de ocorrer falha em algum
deles também aumentou. Com isso, as dutovias mais bem instrumentadas seriam
exatamente aquelas com maior probabilidade de sofrer com esse tipo de problema.
Desse modo, detectar falhas do tipo “anomalias na instrumentação” ou a ocorrência
de vazamentos são preocupações constantes na operação de uma dutovia. 



Elementos essenciais:
• Terminais, com equipamentos de propulsão de produtos (bombas, compressores, etc.).
• Tubos.
• Juntas de união.

Outras definições:
VIA: é constituída por tubos, geralmente metálicos, que seguem as diretrizes do projeto, interrompida pelas estações de bombeamentos e pelas tancagens de armazenagem.
VEÍCULO: o produto bombeado é seu próprio veiculo, cada partícula impulsionando as que a antecedem,formando uma corrente continua.
TERMINAIS: formado pelas tancagens em pontos estratégicos da tubulação.
CONTROLES: responsável pela velocidade imprimida pelas bombas, evitando tanto as baixas que permitam a sedimentação, como as altas, que conforme os tipos do produto levariam as erosões dos tubos.

Tipos de dutos segundo a sua construção:

Dutos subterrâneos são aqueles enterrados para serem mais protegidos das intempéries, acidentes provocados por outros veículos, máquinas agrícolas e vandalismos. São mais seguros em caso de ruptura ou vazamento do material transportado, pois a terra que envolve a tubulação funciona como um invólucro, que amortecerá o impacto da pressão causada pelo acidente.
Dutos aparentes são os visíveis, normalmente encontrados nas chegadas e saídas das estações de bombeamento, de carregamento e descarregamento, e nas de lançamento ou recebimento de “PIGs”, que são aparelhos utilizados na limpeza e detecção de imperfeições ou amassamento na tubulação.
Dutos aéreos são utilizados para instalação em grandes vales, cursos d’água, pântanos ou
terrenos muito acidentados, tornam-se viáveis com a construção de torres metálicas nas extremidades do obstáculo e quando necessário, torres intermediárias que servirão de suporte para a tubulação que ficará presa a elas por meio de cabos.
Dutos submarinos assim denominados, por estar a maior parte da tubulação submersa no fundo do mar. Este método é geralmente utilizado para o transporte da produção de petróleo de plataformas marítimas (off shore) para refinarias ou tanques de armazenagem, situados em terra (on shore); também são utilizadas para atravessar baías ou canais de acesso a portos. Os emissários são considerados dutos submarinos
 
CENÁRIO ATUAL DA MALHA DUTOVIÁRIA BRASILEIRA

O Comércio Internacional está estruturado sobre muitas variáveis, e o transporte de bens vendidos, comprados ou trocados de valor fundamental nessa cadeia. O emprego de dutovias é extenso e pode ser empregado para diversos tipos de produtos e com várias formas de instalação. Na maioria dos casos é utilizado para o transporte de “commodites”.
Atualmente, a malha dutoviária brasileira tem aproximadamente 20 mil km de extensão, já
Países como o Canadá, a Rússia e os EUA têm, respectivamente, 200, 330 e 440 mil km de dutos construídos. Do ponto de vista de custos, as despesas com transportes representam, em média, cerca de 60% das despesas logísticas, e isso, em alguns casos, pode significar duas ou três vezes o lucro de uma companhia.
A posição geográfica das refinarias encontra-se principalmente no litoral, já que na década de 1960 e 1970 a ênfase passasse da produção de petróleo cru (devido aos fracassos ocorridos na exploração da plataforma continental, na foz do rio Amazonas, Santos e Espírito Santo), para investimentos na área de refino, gerando a necessidade de importação de petróleo cru, principalmente via marítima. O posicionamento das refinarias no litoral deve-se, de forma a minimizar os custos de descarga e armazenamento nos portos. Houve, entretanto, no final da década de 70, uma mudança do foco da industrial do petróleo, voltando-se novamente para a produção de petróleo cru.  Isto se deve principalmente:
•Conclusão da instalação do parque de refino;
•As descobertas de petróleo off-shore no litoral brasileiro;
•A crise internacional do petróleo.
Segundo [Martins (2003)], pouco se mudou na infra-estrutura logística, já que agora a maioria das operações de exploração de petróleo concentra-se no litoral. Devido à otimização dos custos de transporte, tanto na distribuição de derivados como no abastecimento das refinarias, a maior parte da capacidade de refino encontra-se nas regiões Sul e Sudeste, que são responsáveis por 80% da capacidade total de refino e por mais de 90% da produção dos dois principais derivados: gasolina e óleo diesel.
Das refinarias, o processo logístico brasileiro segue envolvendo uma malha dutoviária de 15.098km, 428 bases de distribuição (39% no Sudeste, 19% no Sul, 15% no Nordeste, 14% no Centro-Oeste e 13% no Norte) e um processo operacional complexo, que culmina numa estrutura de 29.804 postos revendedores.

No Brasil, os oleodutos autorizados pela ANP totalizam cerca de 7.500 km de extensão, sendo que 25% são destinados à movimentação de petróleo e 75% à movimentação de derivados e outros produtos. Entretanto, do total de oleodutos, menos de 30% são classificados como sendo de transporte, ou seja, podem ser compartilhados. Observando a sua estrutura, percebe-se que 62% dos dutos de transporte têm extensão inferior a 15 km dados da[ANP (2009)]. Segundo a “Resenha Energética Brasileira do Exercício de 2006” (Ministério de Minas e Energia), o gás natural apresenta as maiores taxas de crescimento na matriz energética.



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